quarta-feira, 23 de novembro de 2011

WALDOMIRO DE DIRCEU








WALDOMIRO E DIRCEU
(Versão livre do poema lírico de Tomás Antônio de Gonzaga: Marília de Dirceu).

                   
          (Antes foi Waldomiro)
                       I
De que te queixas, Waldomiro?
Do que deste a Dirceu
Mala preta da propina?
Bem cheia essa mala
Com muita grana linda
Que o Carlinhos te deu?
                   Políticos amam Waldomiro
        O eficiente assessor
                   Que nunca um real perdeu.

Em torno da suposta pureza
Não rolam ternas propinas?
Não se é assessor em vão
Cobras em representação
Porcentagens pequeninas
Que fazem muita riqueza
No antro da corrupção
                  Políticos amam Waldomiro
        O exemplar servidor
             Trabalhando por Dirceu.

Já ouviste meu Waldomiro
O que está dizendo o amo teu
Usando um termo técnico?
"O brasileiro povo meu
O bom senso perdeu
Está esquizofrênico".
                       Até nem ama mais Waldomiro
             O assessor de confiança
                Que recolhia dinheiro seu.

Meu Waldomiro de Dirceu
Pode não ser verdade
Essa história de propina,
Mas o povo está vendo logo
E isso é uma verdade
Não há fumaça sem fogo.
                             Políticos amam Waldomiro
                        Eficiente, leal assessor.
                               Exemplo para servidor seu.

Desiste Waldomiro meu

A política não vale a pena
E aprende esta lição
Para ti não ficou nada
Nem mesmo um tostão
Só a tua conservação.
                                 Todos amam: só Waldomiro
                            Assessor desempregado
                              Que não tem nada de seu!


      (Agora é Dirceu)

                  II

Em torno da casta classe
Que em Brasília domina
Rola o lucro crescendo.
Como se isso não bastasse
A cultura da propina
Assentou acampamento
                         Até mesmo no Planalto.
                  O lamaçal fedorento
                        Atinge o nível mais alto.

Ó meu Waldomiro já viu
A alhada em que se meteu
O amo a quem você serviu,
Sim o seu amigo Dirceu?
O que falou seu Roberto.
Manchou-lhe a reputação.
                O Zé pediu a demissão
                Porque é quase certo
                          Que aprovou o "mensalão".

Jogaram no seu Zé Dirceu
Abacaxis e pepinos
Que mudaram seus destinos.
Diz-me ó Waldomiro meu,
É verdade a acusação
Que o seu Roberto lançou?
                              Você que com ele trabalhou,
                            Que seu método conheceu,
                       É verdade a corrupção?

Claro que não vai confessar
Pois ama muito o amo seu,
Em nada o vai prejudicar.
Meu Waldomiro de Dirceu
Larga a propina e o mensalão
E fala só a verdade
                              Política é podridão

                                  Fale com sinceridade
                                                     Não cubra mais o seu ex-patrão.

O negócio do mensalão
Vai sujando muita gente
Representante da nação.
Diz o Severino contente:
"Já caiu o José Dirceu,
Outros ainda cairão".
                       E Waldomiro coitado,
                          Impotente e desolado,
                                   Não pode salvar o amo seu!


Victor Alexandre


O BOM LADRÃO!








O BOM LADRÃO

Furtar é uma arte
Ladrão é profissão
Não pode ser amador.
Para ter boa parte
Quem é bom ladrão
Aprecia bem o valor.

Ao pai desempregado
A vida nada poupou,
Miséria é seu quinhão.
Para alimentar família,
Um dia um pão roubou.
Logo na rua gritaria:
"agarra que é ladrão
Botem-no na cadeia
Condenem esse ladrão"
Mau ladrão o danado
Filhos não terão ceia!

O que é bom ladrão
Ele furta em segredo
Em baixas operações.
Nunca rouba um pão
Mas furta sem medo
Dinheiro aos milhões.

Ao político eleito
A vida tudo tem dado
Riqueza é seu quinhão.
Ele sabe dar o jeito
E nada alguém viu,
Nem mesmo seu deus.
Furta sem ser ladrão
Pra satisfazer cobiça
Pra enriquecer os seus
Faz um "pequeno" desvio
E envia pra a Suíça.

Este é o bom ladrão
A vida vai levando
De rosto levantado.
Ele não furta não
Sempre está negando
Ele em nada é culpado!

Mas quer queira quer não
Furtar é um grande pecado.
Perante deus ele é culpado
Tal como judas é um ladrão!

Victor  ALEXANDRE

JOSÉ ROBERTO ARRUDA






JOSÉ ROBERTO ARRUDA

Nome de planta medicinal
Que nos cura o organismo.
Arruda na Capital Federal
É símbolo de má fé, cinismo.

José arruda diz em Brasília:
Estes milhões que aqui estão
Não significam nada de mal.
São para a brasileira família
Comprar muitos alimentos, pão,
Também panettones no natal.

O José, cínico e sem coração,
Afirma que o que fez não é mau.
Então é boa a corrupção?
Arruda é muito cara de pau.

Mas ele não está sozinho
Estão envolvidos outros mais.
Este esquema de corrupção
É um enorme torvelinho
Que esta sujando os maiorais
Governantes da nossa nação.

Abra o olho ó meu povão.
Se quiser ser mais feliz
Rejeite na próxima eleição
Todos os "Arrudas" deste país.



Victor Alexandre




RETIFICAÇÃO

Caros Amigos,
Nesta edição repetimos o poema ARRUDA para o retificarmos, pois na última quadra dizia:
Abra o olho ó meu povão.
Se quiser ser mais feliz
Rejeite na próxima eleição
Todos os Arrudas deste país.
Devíamos ter posto Arrudas entre aspas. Isto porque o sentido do poema é expor a atuação do Governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, a qual foi divulgada na mídia brasileira e internacional. Como também diz o poema: Estão envolvidos outros mais, por isso mesmo o que o poema rejeita é: Todos os políticos, que tal como Arruda e os seus amigos estão sendo culpados da corrupção que assola a política do nosso país. Nunca passou pela cabeça do autor expurgar o sobrenome ou apelido ARRUDA. Há muitas pessoas que tem Arruda no seu nome, por exemplo, aquela moça, Geyse Arruda, que foi expulsa da universidade por usar um vestido muito curto. Existem senadores e deputados sérios que tem ARRUDA no seu nome. Existem futuros candidatos que também se chamam ARRUDA. Até existe um clube de Futebol que se chama ARRUDA Futebol Clube. Portanto os “Arrudas” que o eleitor brasileiro deve rejeitar são todos os candidatos que tiverem de perto ou de longe algo a ver com a corrupção. Podem-se incluir também aqueles que tem pouco respeito pelo cargo que ocupam e os já provados incompetentes.
Queremos pedir desculpas a todos aqueles se sentiram visados.
O autor Victor Alexandre




OS POLÍTICOS









OS POLÍTICOS


ALTAMENTE COLOCADOS
E MUITO LISONJEADOS
O POVO NELES VOTOU.
MUITO NELES CONFIOU
QUE SUA PALAVRA DADA
SERIA BEM RESPEITADA.

PORÉM O QUE ACONTECE
A SUA PALAVRA PERECE.
SEU DESTAQUE PESSOAL
SENDO MAIS IMPORTANTE
QUE SERVIR ESSE VOTANTE
QUE SE TORNA VIRTUAL,
ALGUÉM INEXISTENTE.
E A PALAVRA PREMENTE
DADA COM JURAMENTO
É APENAS UM LAMENTO
PERDIDO NO VENDAVAL.
É A CONSTATAÇÃO REAL
COM POUCAS EXCEÇÕES.
LOGO APÓS AS ELEIÇÕES.

EM VEZ DE SER UM BEM
HOMENS POLÍTICOS, PORÉM,
SÃO ÁS VEZES GRANDE MAL
PARA OS POVOS EM GERAL.
DIGAM QUEM É QUE TRAZ
GUERRAS EM VEZ DE PAZ,
FOME EM VEZ DE FARTURA
CRIME MAIS A POBREZA?
QUEM PROVOCA AMARGURA?
QUEM NÃO CUMPRE A LEI?
RESPONDO, TENHO CERTEZA:
"O POLÍTICO EM QUEM VOTEI!"

Victor Alexandre

terça-feira, 22 de novembro de 2011

MONÓLOGO!







MONÓLOGO



QUANDO NÃO PODES DIALOGAR
PORQUE SOLIDÃO DE INVADE
OU PORQUE O AMOR ACABOU
POETA NÃO DEVES DESANIMAR
DEVES TER FORÇA DE VONTADE
UM POETA, CONSIGO FALOU:

MUITO BAIXINHO
COM OS MEUS BOTÕES
FALO SOZINHO
MINHAS EMOÇÕES
DORES E PENAS
AS ALEGRIAS
VIDAS SERENAS
SONHO A ESMO
SEM COMPANHIAS
FALO SOZINHO
COMIGO MESMO
MUITO BAIXINHO

TUDO TA FUSCO
NA MINHA VIDA
ALIVIO BUSCO
NA MINHA LIDA
VERSOS QUE FAÇO
OLHOS CHORANDO
RINDO, CANTANDO
DEIXO MEU TRAÇO
A MINHA TRILHA
EM NADA BRUSCO
E NADA BRILHA
TUDO TA FUSCO.

O TEMPO PASSA
SOZINHO ESTOU.
VIDA DEVASSA
PRA ONDE EU VOU.
MONOLOGANDO
VIVO SONHANDO.
E MURMURANDO
ALMA SANGRANDO.
NEGRO CORAÇÃO
TRISTEZA CRASSA
NESTA SOLIDÃO
O TEMPO PASSA

VICTOR ALEXANDRE

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

É A PRÁTICA DE ESPIRITISMO INOFENSIVA?






MÉDIUM, FAÇA SUBIR O FULANO DE TAL!


A sessão tem lugar num dos centros espíritas mais reputados da zona norte do Rio de Janeiro.
Em volta da grande mesa de madeira estão seis pessoas ansiando a hora de falar com o ente querido falecido. Uma questão de herança não testamental está dividindo aquela gente.
Nisto chega o deputado Chioco Cruz o médium espírita mais famoso do Brasil. Ele é alto, magro de rosto comprido. Uma barbicha no queixo lhe dá um ar de intelectual. Deve ter uns cinqüenta e tantos anos. Na mão traz um crucifixo e uma Bíblia.
 - Boa noite pessoal.  - saúda com cordialidade.
Os assistentes respondem em coro com uma boa noite quase imperceptível.
Nisto uma das mulheres fala:
- Por favor, médium faça subir o meu marido Fulano de Tal.
Após ter feito umas rezas e proferir umas palavras mágicas Chioco Cruz fala com voz forte:
 - Fulano de Tal você está aí? Se estiver mexa a mesa. Precisamos ouvir a sua voz.
Passam-se alguns minutos e nada. A mesa não se move. Então ele agita o crucifixo para cima e para baixo sobre a mesa. Ainda assim a mesa não se move. Várias vezes ele vai repetindo este ritual e nada, a mesa não se mexe. Ele começa a perder a paciência.
Cheio de raiva o médium dá fortes pancadas na mesa, e grita:
 - Fulano de Tal sei que você está aí. Vai, aparece.
Nisto a mesa se mexe com ruído e a família estremece.
 - É você o Fulano de tal?  - pergunta Chioco.
Responde uma voz cavernosa como se saísse do fundo dos tempos:
 - Não, o Fulano de Tal morreu, foi enterrado e o bicho já começou a fazer o seu trabalho.
 - Então quem é você? Um impostor?  - Fala Chioco.
De novo se ouve a voz cavernosa:
 - Tem razão, sou impostor mesmo. Cada vez que você faz subir uma suposta alma de um falecido é sempre um impostor que responde e se faz passar pelo falecido. Essa estória de almas penadas é falsa. Cada ser humano é uma alma e quando vem a morte, morre a alma. Eu já fui impostor bilhões de vezes, mas hoje tenho vontade de falar só a verdade.
 - Mas afinal quem é você? Que tem a dizer? Esta família está esperando!!!
A mesa mexe forte e a voz continua:
 - Eu já fiz parte da grande família invisível de Deus. Fui um belo anjo. Tinha não só uma boa relação com o Criador, como também com o seu unigênito, o arcanjo Miguel.
Um dia, porém, influenciado pelo meu atual chefe, abandonei a minha moradia correta. Desci á terra, materializei um corpo carnal e me juntei com uma das descendentes de Enos, neto de Adão. Era uma das mulheres mais lindas que viviam então. Seu nome era Querém-Hapuque.
 - Como assim? Que está contando seu impostor?  - interrompe o Chioco.
De novo a mesa se agita e a voz continua:
 - Hoje não estou sendo impostor. Por uma vez na vida estou falando a verdade. Para provar isso queira ler aí na sua Bíblia, em voz alta, Gênesis capitulo seis versículos um, dois e quatro, a segunda carta de Pedro capitulo dois, versículos quatro e cinco e finalmente a carta de Judas versículo seis.
Chioco pega a Bíblia e lê os versículos indicados:
 - E ACONTECEU que, como os homens começaram a multiplicar-se sobre a face da terra, e lhes nasceram filhas.
Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram.
Havia naqueles dias gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama.
Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no Tártaro, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo;
E não perdoou ao mundo antigo, mas guardou a Noé, pregoeiro da justiça, com mais sete pessoas, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios;
E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao julgamento daquele grande dia.
Após a leitura aterrorizado o médium grita:
 - Você é um demônio, vai embora deixa a gente em paz!!!!!!
 - Sim sou e como você insistiu tanto em me fazer subir, vou reter todos vocês aqui até concluir a minha história.
 Aí todos se levantam e tentam sair da sala, ouve-se um ruído como que de vento soprando e a porta é trancada com estrondo!!!
Todo o pessoal assustado, fica de pé olhando a mesa. Chioco está branco como a cal da parede. É a primeira vez que tal coisa lhe acontece.
Diz a voz:
- É melhor se sentarem e ouvirem de vez a verdade acerca da condição dos mortos.
Ainda atemorizados todos se sentam de novo. E a voz cavernosa continua.
 - Tudo isso aconteceu por volta do ano três mil antes de Cristo. Fez há pouco tempo cinco mil anos. Muitos de nós, anjos, achamos que os homens na terra se deleitavam demais com as lindas mulheres. E nós as criaturas celestiais tivemos inveja deles e cobiçamos as suas esposas. Quisemos experimentar o prazer sexual. Para isso materializamos corpos carnais e descemos á terra. Engravidamos as mulheres que tomamos. Os nenéns eram lindos, mas ao crescerem se tornaram gigantes. Eram os homens de fama. E esses homens híbridos provocavam uma terrível onda de violência na Terra.!
Alguns eram autênticas aberrações. Conheci um que tinha um só olho no meio da testa. Na mitologia grega é o Ciclope.
Aliás, quase toda a mitologia grega se baseia na nossa atuação quando estivemos aqui na Terra como homens. Nós éramos considerados deuses.
Chioco interrompendo:
 - Deuses? Feios demônios, isso sim!
A voz:
 - Engana-se. Nós éramos lindos como homens. Poucas mulheres nos resistiam. Devido aos atos dos nossos filhos híbridos aos poucos a Terra ficou cheia de violência. A vida humana não tinha mais nenhum valor. Se nada fosse feito em pouco tempo a raça humana seria eliminada do globo terrestre.
Então apareceu Noé, um maluco anunciando um vindouro dilúvio. Ao mesmo tempo ia construindo uma enorme caixa de madeira retangular; tendo cento e cinqüenta metros de comprimento, quinze de altura e vinte e cinco de largura, tendo três andares ou convés. Dizia que era para salvar do dilúvio quem se juntasse a ele.
Imaginem: Um dilúvio! O povo naquele tempo não sabia o que era isso. Nunca tinha chovido até então. A terra era regada por um vapor que subia dela mesma. Uma enorme nuvem de vapor acima da atmosfera terrestre envolvia o todo o globo. A terra inteira era uma estufa. O clima era todo igual, não importa onde se vivesse nela.
Durante quarenta anos o maluco Noé construiu a arca e tentou convencer o povo. Ninguém acreditou.  Só sua mulher, seus filhos e noras acreditaram. Apenas oito pessoas entre vários milhões. O povo cético zombava de Noé:
 - Pobre maluco, nunca choveu e vai haver um dilúvio? Louco mesmo!
Porém, no ano dois mil trezentos e setenta antes de Cristo, sem mais nem menos foram chegando junto da arca muitos animais.
Noé escolheu um casal de cada espécie e os fez entrar na arca. Quando todos entraram o céu escureceu. Ouviram-se trovões, viram-se relâmpagos e romperam-se as comportas dos céus, ou seja, rompeu-se a enorme nuvem de vapor que envolvia a Terra. Durante quarenta dias e quarenta noites caíram enormes trombas de água e todo o globo terrestre ficou coberto de água. Aí muitos correram para a arca, mas Deus tinha trancado a porta. Era tarde demais. Foi assim que toda a vida fora da arca morreu. Humanos e animais, mesmo os grandes animais selváticos a quem os vossos cientistas hoje chamam dinossauros, todos morreram.  Mas a arca flutuava sobre as águas para que deste modo alguma vida fosse preservada. Só escapamos nós, os anjos.  Como nós torcíamos para que a arca furasse e aqueles oito morressem também!  Mas ela prevaleceu estanque. Noé tinha-a bem vedado com alcatrão exatamente como Deus tinha mandado. Aí nós desmaterializamos os corpos e voltamos ao domínio espiritual, mas não mais fazíamos parte da família de Deus. A nossa condição passou a ser de completa escuridão espiritual. Fomos impedidos de nos materializar em humanos. Enquanto aguardamos o Juízo Final andamos por aí influenciando os governantes políticos a fazerem guerras horríveis. Para atemorizar as pessoas, ás vezes até encarnamos nelas. Eu fazia parte da célebre Legião de demônios possuindo um homem. Legião essa que Jesus Cristo permitiu que entrasse nuns porcos.
E ainda hoje continuamos a provar ao homem a veracidade do nosso Chefe quando disse que o homem mesmo pecando não morre, embora morra o corpo, não morre a alma.
Uma vez mais o Chioco interrompe:
 - Mas as religiões sempre ensinaram isso e continuam ensinando.
A voz:
 - Claro que o nosso Chefe tem todas as religiões sob seu controle. Por isso a verdade da Bíblia não é ensinada pelos clérigos. A sentença de morte dada a Adão foi clara: Tu és pó e ao pó voltarás. Assim o salário pago pelo pecado é a morte, nada mais. Durante a Idade Média a Igreja Católica enriqueceu com as vergonhosas vendas de Bulas papais para livrar as almas do inexistente Purgatório.
Chioco interrompe de novo agitando o crucifixo grita:
 - Para trás espírito imundo!
A voz dando uma gargalhada:
 - Isso também é invenção do nosso Chefe. O crucifixo não tem nenhum poder contra nós os demônios, bem ao contrário nós também nos servimos dele. Jesus não morreu numa cruz, mas numa estaca ou tronco de árvore sem traves. A cruz é um dos mais antigos símbolos pagãos.
Só há uma palavra que tem poder contra nós. Aparece na Bíblia sete mil vezes, mas os tradutores da cristandade substituíram-na por uma palavra comum.
Dessa forma ninguém a usa contra nós, nem mesmo vocês os médiuns. E não sou eu que te vou dizer qual é.
Chioco:
 - Mas você disse que ia dizer toda a verdade!
A voz:
 - Pois disse. E estou falando a verdade. Só que guardo para mim as informações que poderiam prejudicar-me. Se quiser saber qual é essa palavra consulte outras traduções das Escrituras. Algumas restauraram a palavra em todos os lugares aonde ela aparece nos manuscritos mais antigos.
Chioco:
 - Não te acredito demônio mentiroso. Aposto que nunca poderás imitar a voz do Fulano de Tal.
A voz:
 - Já imitei bilhões de vozes durante os milhares de anos da minha existência como demônio. Até imitei vozes de gente célebre tais como as de Nabucodonosor, César Augusto, Napoleão Bonaparte, François Mitterrand, Elvis Presley e até recentemente Yasser Arafat.
Aí a voz pára e mudando de tom diz:
 - Oi Caçulinha, você agiu muito mal com o seu velho pai. Você achou justo injetar um certo produto nas veias dele para provocar a morte por enfarte? É feio se tornar parricida para ficar com a herança. Aí família tenha cuidado, ele forjou um testamento falso para apresentar no momento propício.
Aqui a família reconhece a voz do Fulano de Tal e o caçula levanta-se e corre para a porta. Esta se abre e ele foge correndo.
A voz imitando ainda a voz do Fulano de Tal, fala:
 - Deixem-no ir. A partir de agora ele está no poder do meu Chefe. Quanto a todos vocês acho melhor nunca mais procurarem um médium espírita. Se não poderão também ficar no nosso poder. Quanto a você seu Chioco, há muito tempo que está em nosso poder. Mas a partir de hoje a sua fonte de renda como médium está secando. Você não mais ganhará dinheiro ás nossas custas.
Logo se ouve um ruído como de vento soprando e um silêncio sepulcral cai naquela sala. Todo o pessoal está petrificado. Nunca na vida tinham tido tanto medo. Ainda tremendo de medo um a um foram saindo.
Quando fica só Chioco se sente mal, leva a mão ao coração, faz esforço para respirar. A respiração se torna cada vez mais difícil. E ele cai para nunca mais se levantar.
No dia seguinte um jornal relata de modo lacônico:
Ontem o deputado federal e espírita Chioco Cruz teve um enfarte e morreu. O caso aconteceu durante uma sessão de espiritismo num centro espírita do Rio de Janeiro.

domingo, 20 de novembro de 2011

A VIDA E A MORTE!




A VIDA E A MORTE!

Vida longa em felicidade
É o desejo do ser humano.
Vida mesmo sem nunca morrer,
Inerente á humanidade.
O modo de vida insano
Impede o homem de viver.

Na vida curta que levamos,
O sonho comanda a vida,
Disse o poeta no seu rimar.
Nesta terra em que moramos,
Levando luta desmedida,
Somos impelidos a sonhar.

Sonhar com mundo sem maldade,
Vida longa em felicidade
É o desejo do ser humano.
Vida mesmo sem nunca morrer,
Inerente á humanidade.
O modo de vida insano
Impede o homem de viver.
             
Sonhar ter carinho e amor,
Sonhar ter a vida sem pena,
Sonhar com a felicidade,
Ter da juventude o primor,
Usufruir a vida eterna!

Porém, dura realidade,
Que nos abate e consome,
É muito diferente do sonhar.
Quando avança a idade
Desaparece nosso nome
Morremos, vamos a sepultar.

Após a morte o que temos?
Diz o padre na homilia:
A sua alma foi para o céu.
Isso só é filosofia,
Não adianta especular.
Sabem o que estou crendo eu?
Acreditando no que vemos,
A nossa vida foi perdida.
Dura realidade a constatar:
Morte é contrário da vida!

Victor Alexandre